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DIABETES MELLITUS

Estamos dando a devida atenção?

Embora o diabetes mellitus seja conhecido pela medicina há cerca de 3500 anos, suas taxas atuais de controle apresentam resultados muito aquém do ideal.


Atualmente, o diabetes mellitus é a principal causa de cegueira, amputações e insuficiência renal, além de aumentar o risco de doenças cardiovasculares em 2 a 4 vezes e, ao contrário da maioria das outras doenças, a mortalidade relacionada à sua ocorrência vem aumentando de forma contínua e preocupante.


Vamos a seguir responder algumas perguntas que poderão nos ajudar a compreender melhor essa doença, e deste modo contribuir para reduzir os riscos de complicações e melhorar a qualidade de vida do diabético.

1. O que é diabetes mellitus?

É uma doença metabólica caracterizada por um aumento anormal dos níveis de glicose (“açúcar”). O diabetes não é uma doença infecciosa, ou seja, não é transmissível por contato e nem é causada por microrganismos, porém, pode ter influência genética no sangue. Portanto, não é transmissível nem causada por bactérias.

2. Existe mais de um tipo desta doença?

Existem vários tipos, sendo os mais comuns: o tipo 1, que ocorre em cerca de 10% dos casos, com início abrupto, geralmente em adolescentes, e tendo pouca influência genética; e o tipo 2, que ocorre em cerca de 90% dos casos, apresenta poucos sintomas e está associado ao envelhecimento, excesso de peso e herança genética.

3. Quais as causas?

No diabetes tipo 1: é devido a um defeito imunológico, onde o próprio organismo destrói as células que produzem a insulina. No diabetes tipo 2, temos várias causas, como: resistência à ação da insulina (hormônio que metaboliza a glicose e é produzido pelo pâncreas), diminuição das incretinas (hormônios intestinais que controlam a produção e ação da insulina e do glucagon, responsáveis pelo controle dos níveis de açúcar no sangue) e, numa fase final, diminuição da produção da insulina.

4. Como se diagnostica?

Todos os indivíduos que apresentam fatores de risco aumentado, como: idade acima de 40 anos, excesso de peso, diabetes gestacional, hipertensão arterial, dislipidemias. Parentes próximos diabéticos devem procurar o seu médico, para que periodicamente seja feita uma avaliação visando à detecção do diabetes, o que é feito basicamente pela dosagem das taxas de glicose no sangue (glicemia).

Serão considerados diabéticos aqueles que apresentarem: glicemia em qualquer momento acima de 199 mg/dl, com sintomas, ou duas dosagens de glicemia de jejum acima de 125mg/dl. Caso a glicemia fique entre 100 e 125mg/dl ou tenha apenas uma dosagem superior a 125mg/dl, deverá ser feito um teste ingerindo no laboratório um líquido açucarado, dosando a glicemia duas horas após a ingestão. Se a glicemia for superior a 199 mg/dl, será considerado diabético, e se ficar entre 140 e 199mg/dl, será considerado pré-diabético.

5. Quais os sintomas?

No tipo 1, por ocorrer desde o início uma glicemia muito alta, geralmente apresentará: boca seca, muita sede, cansaço, emagrecimento, urinará com frequência, distúrbios visuais, desidratação, entre outros.

No tipo 2, os pacientes podem não apresentar sintomas por vários anos, e quando estes surgem, são similares ao tipo 1, porém de intensidade muito mais branda.

6. Quais as principais consequências?

No tipo 1, devido ao início abrupto, pode o diabético até mesmo entrar em coma se não houver atendimento imediato. Passada esta fase, caso não haja um controle adequado, ambos os tipos poderão apresentar as complicações cardiovasculares e/ou neurais em graus variados: renais, falha na visão, infarto do miocárdio, derrame cerebral, isquemias, amputações, disfunção erétil, micoses crônicas, abortos, úlceras nos pés, perda de sensibilidade, neurites, etc.

7. Como a glicemia deve ser medida?

Em geral, as medidas são feitas em jejum, antes e duas horas após as principais refeições. Quando conseguimos o controle, a freqüência de medidas diminui, sendo adequada a cada caso. No diabético tipo 1, as necessidades das dosagens se dão com mais frequência do que no tipo 2.

8. Como é o tratamento do diabetes?

Sempre que possível, o tratamento do diabetes deve ser orientado por uma equipe de profissionais com experiência nessa doença. Sempre temos que nos preocupar com a educação do diabético, onde ele aprende os cuidados gerais com a doença, a mudança do estilo de vida (alimentação e exercício físico), e a importância do controle permanente. No tipo 1, é frequente a orientação para uso de insulina desde a primeira consulta. No tipo 2, se não conseguirmos atingir as metas de controle dentro de seis a oito semanas, utilizando dieta e mudança do estilo de vida, deveremos iniciar a associação de medicamentos. Nos pacientes com níveis de descontrole muito grande, devemos iniciar a associação de medicamentos já no diagnóstico.

9. Qual a importância do tratamento adequado?

Nos portadores de diabetes tipo 1, como os sintomas são mais intensos, os pacientes tendem a seguir com mais assiduidade o tratamento. No tipo 2 existe uma inércia (demora em diagnosticar, demora em associar a medicação e demora do paciente em se preocupar com a doença), devido ao fato de ocorrerem poucos sintomas. Estes fatores induzem a demora pela procura de assistência médica, e quando os pacientes já estão diagnosticados, com frequência abandonam o tratamento, por acreditarem que já estão controlados. Estes fatos fazem com que só procurem seguir as orientações corretas quando as complicações citadas anteriormente já estão instaladas, o que levará a problemas psicológicos e socioeconômicos que poderiam ser evitados. Acreditamos que se o diabético tiver um diagnóstico precoce e seguir as orientações da equipe médica que o orienta, ele terá uma vida praticamente igual ao indivíduo não diabético.

Para mais informações, acesse o site da SBD: www.diabetes.org.br

Saulo Cavalcanti
Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes
Presidente do Departamento de Diabetes da SBEM