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O que é

A úlcera péptica é uma ferida bem definida, redonda ou oval, causada devido ao revestimento gástrico ou duodenal sofrer digestão ou erosão pelo ácido gástrico e sucos digestivos.

Uma úlcera rasa é denominada erosão.

As úlceras pépticas desenvolvem-se no revestimento do trato digestivo exposto ao ácido e às enzimas digestivas, principalmente o estômago e o duodeno.

Os nomes das úlceras identificam as suas localizações anatômicas ou as circunstâncias nas quais essas lesões se desenvolveram.

As úlceras duodenais, o tipo mais comum de úlcera péptica, localizam-se no duodeno, nos primeiros centímetros do intestino delgado após o estômago. As úlceras gástricas, menos comuns, localizam-se comumente ao longo da parte alta da curvatura do estômago.

Causas

Uma úlcera é formada quando ocorrem alterações dos mecanismos de defesa que protegem o duodeno ou o estômago contra o ácido gástrico. As causas dessas alterações dos mecanismos de defesa não são conhecidas.

Apesar de os indivíduos produzirem ácido gástrico, somente um em cada dez pode apresentar úlceras.

As úlceras duodenais quase nunca são cancerosas. As úlceras gástricas diferem das duodenais pelo fato de tenderem a ocorrer mais tardiamente e apresentarem mais chances de se tornarem cancerosas.

A maioria das úlceras pode ser curada sem maiores complicações.

No entanto, em alguns casos, as úlceras pépticas podem evoluir para complicações potencialmente letais, como, por exemplo, a penetração, a perfuração, a hemorragia e a obstrução, necessitando de tratamento cirúrgico de emergência.

Diagnóstico

A suspeita de gastrite ou de úlcera péptica se dá quando o indivíduo apresenta dor na região abdominal superior acompanhada por náusea ou queimação na região superior do abdômen.

Se os sintomas persistirem, normalmente não há necessidade de realização de exames, e o tratamento é iniciado baseando-se na causa mais provável.

Se o médico tiver dúvidas a respeito do quadro apresentado pelo paciente, pode ser necessária a realização de um exame do estômago com o auxílio de um endoscópio (um tubo de fibra óptica introduzido pela boca), a endoscopia digestiva.

Se for necessário, o médico realizará uma biópsia (obtendo uma amostra do revestimento interno do estômago para exame).

O diagnóstico de gastrite será feito pelo patologista, que examinará a biópsia realizada durante um exame endoscópico.

A endoscopia permite saber se você tem alguma doença no esôfago, estômago ou duodeno que explique os sintomas dispépticos.

Caso a endoscopia tenha sido normal e os outros exames não tenham revelado nenhum problema na vesícula e no pâncreas, nem verminoses (em particular a giardíase e a estrongiloidíase), o diagnóstico a ser feito é de dispepsia funcional.

Tratamento

Um aspecto do tratamento das gastrites e das úlceras duodenais ou gástricas é a neutralização ou a diminuição da acidez gástrica. Esse processo começa com a eliminação dos possíveis irritantes gástricos (anti-inflamatórios, bebidas alcoólicas e nicotina). Apesar de as dietas pastosas serem recomendadas para o tratamento de úlceras, não existem evidências convincentes que apóiem a crença de que essas dietas aceleram a cicatrização ou evitam o seu retorno. Porém, os indivíduos acometidos devem evitar comidas gordurosas, frituras e aqueles alimentos que pareçam piorar a dor ou a distensão abdominal.

Antiácidos

Os antiácidos aliviam os sintomas, promovem a cicatrização e diminuem o número de recorrências das úlceras e da gastrite.

A maioria dos antiácidos pode ser comprada sem necessidade de prescrição médica.

A capacidade de um antiácido neutralizar o ácido gástrico varia de acordo com a quantidade ingerida, com o indivíduo e com o momento em que ele é ingerido.

Os antiácidos são apresentados em comprimidos ou soluções.

Os antiácidos podem interferir na absorção de outros medicamentos (antibióticos, digoxina, ferro, entre outros) para o interior da corrente sanguínea.

Medicamentos antiulcerosos

As úlceras comumente são tratadas por, no mínimo, seis semanas com medicamentos que reduzem a liberação de ácido no estômago e no duodeno. A gastrite poderá ter um tempo de tratamento semelhante.

São prescritos medicamentos que facilitam o esvaziamento do estômago (pró-cinéticos), que ajudam na digestão dos alimentos, ou medicamentos que diminuam a produção de ácido (inibidores da bomba protônica ou antagonistas dos receptores H2), que são eficientes para combater a dor e a queimação do estômago.

Quando identificada a presença do Helicobacter pylori, deverá ser realizado tratamento específico, geralmente com utilização de antibióticos.

Cirurgia

A cirurgia é utilizada basicamente para tratar complicações de uma úlcera péptica, como, por exemplo, uma perfuração, uma obstrução que não respondeu ao tratamento medicamentoso ou recorrente, dois ou mais episódios importantes de úlceras hemorrágicas, uma úlcera gástrica sob suspeita de ser cancerosa ou recorrências graves ou freqüentes de úlceras pépticas.

A cirurgia para a úlcera raramente é necessária, pois o tratamento medicamentoso é muito eficaz.

Como se previnem as úlceras e as gastrites?

Evitar o uso de medicações irritativas, como os anti-inflamatórios e a aspirina.

Evitar o abuso de bebidas alcoólicas e do fumo.

Existem controvérsias quanto ao hábito da ingestão de café e chá preto influir nas gastrites, por isso o seu consumo deverá depender da tolerância individual.

As restrições alimentares não parecem úteis na prevenção das doenças gastrintestinais, mas, dependendo de características individuais, podem fazer diferença em relação à manifestação dos sintomas.

Sabe-se que a eliminação do Helicobacter pylori com o uso de antibióticos associados a inibidores da secreção ácida resulta, na maioria dos portadores de doenças gastrintestinais, na cura da doença, e que nos pacientes em que a bactéria é eliminada a taxa de retorno da úlcera é insignificante.

Os esforços relacionados com a tentativa de redução do estresse parecem surtir efeitos positivos na prevenção das úlceras gastroduodenais e nas gastrites.

Conclusões

Hábitos alimentares saudáveis, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e evitar o tabagismo são decisivos na prevenção e no controle das doenças gastrintestinais. Se a pessoa apresentar os sintomas aqui descritos, deve procurar imediatamente avaliação médica. Deve ser evitada a todo custo a automedicação para que seja feito o tratamento adequado sugerido pelo médico o mais breve possível, evitando, assim, futuras complicações.