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O desenvolvimento de um câncer está relacionado com uma combinação de fatores genéticos, ambientais e, principalmente, o modo de vida que a pessoa leva. Por isso, investir na qualidade de suas atividades e emoções cotidianas é importante não só para prevenir a doença, como para enfrentá-la e superá-la.

Mais do que ter uma boa saúde física e mental, a qualidade de vida envolve equilíbrio emocional e a opção por atividades que façam você se sentir bem. Escute seu corpo e sua mente para se conhecer melhor e estar bem consigo mesmo e com as pessoas queridas. Hábitos saudáveis, cuidados com o corpo, atenção para a qualidade dos seus relacionamentos, balanço entre vida pessoal e profissional, tempo para lazer, saúde espiritual, também fazem parte da manutenção constante da sua qualidade de vida.

Confira dez dicas que podem ajudar na prevenção do câncer:

 

Atitudes que Salvam

- Pare de fumar! Essa é a primeira recomendação para quem quer prevenir a doença;

- Uma alimentação saudável pode reduzir as chances de câncer em pelo menos 40%. Coma mais cereais e pelo menos cinco porções de frutas, legumes e verduras ao dia. Evite frituras, alimentos gordurosos, salgados, enlatados e as gorduras de origem animal, presentes no leite e derivados, carne de porco, carne vermelha, pele de frango. Prefira gorduras de origem vegetal, que podem ser encontradas no azeite extra virgem, óleo de soja e de girassol. Manteiga, margarinas e gordura vegetal hidrogenada também devem ser consumidas com moderação;

- Beba moderadamente. Os homens devem ingerir no máximo duas doses de bebida alcoólica por dia e as mulheres apenas uma;

- Pratique atividade física diariamente;

- Homens com mais de 45 anos e histórico familiar de pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos devem marcar consultas médicas periódicas para investigar o câncer de próstata. Mesmo aqueles sem histórico familiar com idade entre 50 e 70 anos devem se informar sobre a necessidade de fazer exames de rotina;

- Mulheres acima dos 35 anos com caso de câncer na família ou que já tiveram algum tipo da doença devem fazer anualmente o exame clínico de mama e a mamografia. No caso das mulheres acima dos 40 anos, sem esse histórico, recomenda-se exames clínicos de mama anualmente e a mamografia a cada dois anos;

- Mulheres com idade entre 25 e 59 anos devem fazer exames ginecológicos preventivos e procurar orientação médica caso haja alguma alteração;

- Pessoas com mais de 50 anos devem fazer exame de sangue oculto nas fezes, a cada ano;

- Evite o sol entre 10h e 16h. Se for inevitável, vista uma camiseta, ponha boné, óculos de sol e procure andar pela sombra. Vicie-se em filtro solar, mesmo se você só estiver exposto ao sol durante o caminho para o trabalho e nos dias nublados;

- Escove os dentes depois de todas as refeições, use fio dental e mantenha a higiene bucal.

Fonte: Instituto Nacional do Câncer (INCA).

 

Bons hábitos alimentares

Certos alimentos são um bom começo na luta contra o câncer. Vegetais de folhas verdes escuras, como espinafre, brócolis e couve têm importantes propriedades anticancerígenas, assim como o licopeno do tomate e de outros alimentos vermelhos. As frutas ricas em vitamina C, como laranja, caju e acerola possuem substâncias com propriedades anti-inflamatórias e antitumorais e não podem faltar na dieta contra o câncer, mas, por causa do tratamento quimioterápico, essas e outras frutas e bebidas ácidas devem ser evitadas quando há mucosite. Para completar o cardápio, é preciso incluir as fibras, presentes em alimentos como pão integral, aveia, farelo de trigo, milho, feijão, soja, grão de bico, frutas, verduras e legumes, além da carne. Assim você terá consumido tudo o que seu organismo precisa.

De acordo com o Instituto Americano de Pesquisa do Câncer, nos Estados Unidos, para ter uma vida saudável e contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer, as pessoas devem consumir, no mínimo, cinco porções de frutas, legumes e verdura ao dia. Passando para números, a Organização Mundial de Saúde (OMC) recomenda o consumo diário de pelo menos 400 gramas desses alimentos.

 "Se você comer uma fruta no café da manhã, nos intervalos entre as refeições e na hora do almoço, comer uma fatia de tomate e uma folha de alface, já terá ingerido o recomendado. Mas não vale suco de fruta em caixinha ou batata frita, pois os alimentos devem ser ingeridos in natura - no máximo refogados, assados ou cozidos", explica Carolina Menezes Ferreira, nutricionista e mestre em Saúde Pública pela Escola Paulista de Medicina.

As frutas, verduras e legumes possuem grande concentração de vitaminas, fibras e minerais. Dentre as vitaminas, existem algumas que são consideradas anti-oxidantes, ou seja, terão o papel de proteger as células, como é o caso da vitamina A (presente em vários tipos de legumes, como cenoura e beterraba), vitamina C (presente nos alimentos cítricos, frutas cítricas), vitamina E (castanhas e oleaginosas), além dos minerais zinco e selênio. É recomendável também reduzir o consumo de gordura saturada, presente em alimentos de origem animal, e de gordura trans (que sofreu alteração química), presente nos alimentos industrializados.

"O baixo consumo de água, fruta, verdura, legume, aliado ao sedentarismo, o fumo ou o excesso de bebida alcoólica podem aumentar a probabilidade de uma pessoa vir a desenvolver um câncer", alerta Carolina Ferreira.

 

Orientações Nutricionais para Pacientes em Tratamento:

- Uma boa alimentação é fundamental para que a pessoa tenha condições de reagir aos efeitos colaterais e prevenir infecções durante o tratamento. Em geral não há necessidade de suplementação de vitaminas, a não ser em casos de câncer em órgãos ou tecidos do aparelho digestivo e em casos específicos de suplementação vitamínica para a quimioterapia e, em qualquer uma das circunstâncias, o médico deverá ser consultado. Em caso de dúvida, procure um nutricionista para que ele possa ajudar na elaboração de um cardápio específico para o seu caso. Confira dicas que ajudam a minimizar efeitos colaterais da quimioterapia.

- Alimentar-se de 3 em 3 horas, consumindo 6 refeições dia (café-da-manhã, lanche da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia);

- Evitar o consumo de frutas cítricas e refrigerantes, além de chá preto, chá mate e café, produtos que podem provocar ou aumentar a incidência de inflamação nas mucosas (mucosite). Entre as frutas, recomenda-se evitar: laranja, tangerina, abacaxi, acerola, limão, pitanga, carambola e maracujá. Já os refrigerantes, além de conterem gases, são bebidas bastante ácidas e, de maneira geral, não são recomendados em casos como esse;

- Evitar o consumo de alimentos ricos em sódio e corantes, tais como: caldos de carne (todos os tipos), sucos em pó artificiais, shoyu, miojo, temperos prontos para preparação de refeições;

- Consumir água em quantidades equivalentes a 8 a 12 copos dia;

- Aumentar o consumo de água de coco, para reposição de sais minerais (eletrólitos), importantes para o equilíbrio das funções do organismo;

- Não consumir alimentos nem muito quentes, nem muito frios;

- Aumentar o consumo de alimentos cozidos e diminuir o consumo de alimentos crus, pois os primeiros são mais fáceis de serem ingeridos e digeridos.

Dica: Lactobacilos contribuem para a absorção dos micronutrientes. Os lactobacilos são bactérias que geralmente estão presentes em nosso intestino, ajudando a manter uma boa saúde, porque favorecem a absorção dos micronutrientes pelo nosso corpo. Em alguns casos específicos, a flora intestinal bacteriana pode estar alterada como, por exemplo, após uso prolongado de antibióticos. Uma das melhores fontes dos chamados lactobacilos acidófilos é a coalhada caseira, preparada a partir de fermentos lácteos (encontrados nos supermercados para fazer queijo). Há ainda as bebidas lácteas industrializadas com a finalidade de proverem os lactobacilos. O iogurte industrializado, por sua vez, não é uma fonte confiável de lactobacilos, mas sim de cálcio e proteínas. Por isso a dica é: inclua derivados de leite no seu cardápio, diariamente.

Fonte: Carolina Menezes Ferreira, nutricionista e mestre em Saúde Pública pela Escola Paulista de Medicina.

 

Atividade física: mantenha seu corpo saudável

Dieta saudável, tratamento médico adequado e atividade física são essenciais para enfrentar o tratamento do câncer com qualidade de vida, além de ajudar a evitar uma recidiva. A prática de esportes, nas mais diversas modalidades, estimula o sistema nervoso central a liberar endorfinas, substâncias que provocam a sensação de bem-estar, contribuem para melhorar a oxigenação dos tecidos e a circulação e auxiliam no relaxamento das fibras musculares que, devido ao tratamento, podem ficar tensas. Sabe-se que as endorfinas liberadas também podem ter um efeito de analgesia, melhorando dores ou eventuais mal-estares. A atividade física também pode ser uma ótima forma de socialização, de ocupar sua cabeça com pensamentos positivos e de garantir uma noite de sono mais tranquila.

É natural que, durante o tratamento, a pessoa fique menos disposta. Por isso, é importante estar atento para não exagerar e forçar os limites do corpo. Prefira os exercícios aeróbicos, que exigem maior captura de oxigênio pelo corpo. Faça caminhadas despreocupadamente, acelere o passo, corra, dance (ainda que sozinho em casa), caia na piscina. Pratique exercícios de relaxamento, como ioga, alongamento e meditação.

Para saber que tipo de atividade você pode realizar, converse com seu médico. Mais saiba que, exceto algumas recomendações ou limitações específicas que possam existir, é muito importante, para o corpo e para a mente, fazer do exercício um hábito diário.

 

Cuidados com a Pele

O Sol e a sua Pele

“Ficar torrando” no sol é um dos grandes prazeres da vida. Além de aquecer, levanta nosso espírito. A luz solar proporciona benefícios terapêuticos e psicológicos. Para pessoas com asma, artrites e certas doenças de pele, os raios solares aliviam parte do desconforto físico. Os adoradores do sol, que ficam estirados na praia, piscina, por horas, se bronzeando, acreditam que corpos bronzeados simbolizam saúde, juventude e vida saudável.

Infelizmente, ficar muito tempo no sol, sem proteção adequada é prejudicial. Exposição excessiva por vários anos resulta em rugas, pele envelhecida e maior incidência de câncer de pele.

Os Raios Solares

Além dos raios solares que podemos ver, o sol emite raios ultravioletas que são invisíveis e são responsáveis pelas queimaduras solares. As chances de se desenvolver uma queimadura solar são maiores entre 10h e 15horas.

Muitas pessoas acham que em dias nublados esse risco diminui, porém apenas 20% dos raios ultravioletas não penetram através das nuvens. As roupas geralmente absorvem ou refletem os raios UV. O tecido branco das camisetas ou roupas molhadas deixa passar grande parte dos raios UV.

O guarda-sol não protege totalmente porque a areia e a água refletem os raios solares. A neve reflete cerca de 80 % dos raios solares. É muito mais fácil queimar-se nos dias quentes, porque o calor aumenta os efeitos da radiação ultravioleta. O vento tende a aumentar os efeitos nocivos dos raios UV.

Efeitos do Sol

Queimadura solar aguda: uma queimadura intensa é caracterizada por dor, inchaço, bolhas, acompanhada de febre, náuseas, calafrios que aparecem em menos de 12 horas após a exposição solar. Infelizmente, não há cura imediata e são usados medicamentos para aliviar dor, diminuir inchaço e prevenir infecção secundária.

Bronzeamento: na visão de um banhista, o bronzeado é um símbolo de boa saúde. Na visão dos médicos, o bronzeado é uma resposta à agressão, porque o sol mata algumas células e danifica outras. O bronzeamento ocorre quando o raio UV penetra na pele e estimula a produção de melanina. A produção de melanina ocorre com 48 horas após a exposição solar inicial e tem seu pico em 2 semanas.

Idade: pessoas que trabalham no sol por vários anos, sem protetor solar, desenvolvem uma pele com aspecto de couro, envelhecendo entre 15 a 20 anos. Exposição crônica que se inicia na infância leva a uma modificação na textura da pele, acentuando sulcos e rugas precoce. Há também formação de queratoses actínicas (crostas acinzentadas) que podem se transformar em câncer.

Câncer de Pele

O câncer de pele é uma doença causada por excessiva exposição solar, portanto 50% dos cânceres ocorrem nas áreas expostas ao sol. Os três tipos mais comuns são: carcinoma basocelular, carinoma espinocelular e melanoma. Carcinoma basocelular ocorre em pessoas de pele e cabelos claros que se queimam com facilidade. Aparece como ferimento pequeno, brilhante em áreas expostas. O carcinoma espinocelular desenvolve-se na face, orelhas e lábios. Apesar de poder se disseminar, tem alto índice de cura quando diagnosticado no início. O melanoma, o mais perigoso, geralmente aparece como uma mancha escura com contornos irregulares. Os lugares mais comuns são tronco e pernas.

Alergias: algumas pessoas desenvolvem reações alérgicas ao sol. Manchas, bolhas, pápulas ("bolinhas") podem ocorrer após cada exposição solar. Algumas drogas e cosméticos podem tornar o indivíduo mais sensível ao sol. Essa reação alérgica é chamada reação de fotossensibilidade.

Outras Doenças:

Algumas doenças pioram ou iniciam com a exposição solar. Como exemplos: herpes simples, catapora, lupus discóide.

Quem é afetado? O fato de o indivíduo queimar-se ou bronzear-se vai depender do seu tipo de pele.

Classificação:

- Tipo I: (extremamente sensível) sempre queima nunca bronzeia.

- Tipo II: (muito sensível) queima-se facilmente; bronzeamento mínimo.

- Tipo III: (sensível) queima-se moderadamente, bronzeamento é gradual até um marrom claro.

- Tipo IV: (pouco sensível) raramente se queima, bronzeado até marrom escuro.

- Tipo V: (nada sensível) nunca se queima.

Bronzeamento - o melhor modo de se bronzear é fazê-lo gradualmente e com uso de um protetor solar adequado.

Como prevenir queimaduras? As melhores formas são:

- Evitar sol no horário de pico da radiação solar;

- Usar protetor solar adequado;

- Uso de vestimentas leves.

- Os indivíduos devem escolher o protetor solar de acordo com o tipo de pele, época do ano e a atividade que pretende desenvolver.

- Tipos I e II devem usar protetor 15 ou mais. Indivíduos com menor sensibilidade podem usar entre 8 e 15. Os protetores devem ser repassados com frequência

Fonte: Prof. Dr. Jayme de Oliveira Filho

 

Lutando por seus direitos

Mesmo com a assistência do Estado, assegurada pela constituição brasileira, o tratamento contra o câncer demanda gastos com remédios, alimentação, apoio psicológico e médico. Por isso, é importante que você conheça os meios legais que podem ajudar no financiamento de um tratamento de qualidade. Entre os benefícios assegurados por lei aos pacientes com câncer, estão o levantamento do FGTS, a isenção do pagamento de Imposto de Renda incidente na aposentadoria e o andamento prioritário de processo judicial. O paciente também tem o direito de receber um tratamento digno, atencioso e respeitoso e de ter acesso a todas as informações sobre o seu caso.

O primeiro passo para fazer valer os seus direitos é acompanhar atentamente todos os procedimentos indicados pelo médico e pedir uma segunda opinião, quando não se sentir seguro. Tire suas dúvidas e construa seu próprio arquivo com atestados, laudos médicos, resultados de exames e tipos de medicamentos utilizados no tratamento. Arquivar adequadamente esses documentos pode facilitar uma série de trâmites futuros que possam ser necessários para quem precisar fazer valer os seus direitos.

Se em alguns momentos a luta parecer inglória, não desista. Como diz a advogada Maria Cecília Mazzariol Volpe, a batalha para alcançar nossos direitos nos dá ânimo para continuar a viver e lutar contra a doença, servindo inclusive como coadjuvante ao tratamento médico fazendo com que ele tenha mais êxito. Ela é fundadora da Associação dos Familiares, Amigos e Portadoras de Doenças Graves (AFAG) e autora da cartilha "Faça Valer seus Direitos". Acesse  http://www.afag.org.br/cartilha/capa.html e faça o download do conteúdo completo.

 

Atitude positiva e apoio médico

Uma das melhores maneiras de alcançar o sucesso no tratamento contra o câncer é detectar a doença ainda em estágio inicial, mas encarar a doença de frente também faz parte luta. As pessoas de atitude otimista e que brigam pela vida têm mais chance de alcançar um bom resultado no tratamento do câncer. O humor interfere na qualidade do sistema imunológico, responsável por combater células em mutação e proteger nosso organismo. "A genética pode predispor a pessoa a desenvolver um câncer, mas se o sistema imunológico estiver fortalecido, as células serão eliminadas no momento em que sofrerem mutação", explica Dalva Yukie Matsumoto, oncologista e coordenadora da Hospedaria de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Municipal.

Atitude positiva isoladamente não basta, principalmente quando se está diante de uma doença grave. Ela deve estar inserida no contexto de uma relação de cumplicidade com seu médico. O bom profissional é o que alia o conhecimento técnico com uma relação humanizada e um olhar abrangente sobre a pessoa. "É importante que o paciente seja visto como um indivíduo, que tem uma biografia, uma história de vida, valores, crenças, medos e angústias - e vice-versa, pois o médico também tem suas limitações", afirma Dalva Matsumoto, que ressalta também a importância de contar com uma equipe multidisciplinar, com médico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista e anestesista.

Recentemente, a Universidade de Harvard fez uma pesquisa com os pacientes do departamento de oncologia e constatou que maioria sentia falta de conversar sobre espiritualidade com a equipe médica. Com base nesse resultado, o departamento passou a sugerir que os profissionais de saúde se apropriassem mais do assunto para que pudessem amparar melhor o paciente e seus familiares. Esse é um dos principais aspectos trabalhados na área de cuidados paliativos.

"Diante de uma doença que ameaça a sua vida, é natural pensar em espiritualidade, questionar a existência humana, a transcendência", conta a médica especialista na área. Uma das peculiaridades deste tipo de tratamento é ser conduzido por uma equipe multiprofissional que considera o paciente sob todos os seus aspectos: físico, social, emocional e espiritual. O principal objetivo é minimizar e controlar a dor e os sintomas, visando sempre a qualidade de vida do paciente.

 

Enfrentando a quimioterapia

O tratamento quimioterápico é planejado de acordo com o tipo de tumor e estágio da doença. A partir desta análise, o médico deve sugerir os tipos de medicamentos, doses e frequência das aplicações, que podem ser diárias, semanais ou mensais.

O tratamento pode causar uma série de efeitos colaterais, dentre eles: náuseas, diminuição da libido (apetite / desejo sexual), queda de cabelo, enfraquecimento das unhas, queimaduras na pele (especialmente quando a quimio está aliada à radioterapia). Enfrentar esses sintomas com conhecimento, criatividade e otimismo, podem fazer a pessoa se sentir bem consigo mesma.

É importante pensar que, infelizmente, os medicamentos quimioterápicos não agridem somente o tumor, mas também células saudáveis do organismo e, por isso, tantos sintomas indesejáveis podem aparecer durante o tratamento.

Contudo, há uma maneira bastante razoável de pensar em todas essas reações indesejadas, quando aparecem: “o tumor está sendo atacado e isso é bom para mim, para o sucesso do meu tratamento”. É claro que todas as reações devem ser controladas, monitoradas pelo médico e sua equipe, mas o pensamento deve sempre direcionar o paciente em tratamento à sua própria cura.

Algumas dicas que ajudam a conviver com alguns efeitos indesejados e sintomas da quimioterapia são:

- Abuse dos chapéus, lenços e perucas;

- Evite passar esmalte nas unhas diariamente;

- Proteja-se do sol com filtro solar, mesmo nos dias nublados;

- Mantenha-se hidratado e evite bebidas com cafeína, álcool ou muito açúcar;

- Prefira comidas leves, como frutas, saladas e carnes brancas, e atenção no modo de preparo. Os alimentos refogados, assados e cozidos são as melhores opções;

- No caso de queimaduras na pele, como reação à radioterapia, recorra às receita tradicionais: um lencinho molhado com chá de camomila, por exemplo, pode aliviar a sensação de ardência.

Cuidados antes da quimioterapia:

- Agende-se. Não perca o dia marcado para a sessão de quimioterapia, para não prejudicar seu tratamento;

- Tome bastante líquido;

- Utilize os medicamentos indicados pelo médico nas 24 horas que antecedem a sessão;

- Não fique de jejum no dia da quimioterapia: prefira alimentos naturais e evite frituras e lanches;

- Traga sempre um acompanhante para ajudá-lo no que for preciso.

Fonte: Manual do Grupo de Apoio aos Pacientes

 

Mente tranqüila para enfrentar a doença

Ao saber que seu filho de 13 anos tinha câncer, Eny Cunha Mazzini sentiu como se tivesse acabado de sofrer um grave acidente de carro. "Foi uma trombada, dessas que fazem a gente perder o rumo; eu me perguntava por que isso estava acontecendo com ele”. Mãe dedicada, sempre se preocupou com o bem-estar de sua família, fazendo questão de preparar comidas balanceadas, de incentivar a prática de esportes e tudo que os fizessem ficar bem.

Um dia, seu filho chegou da natação com muita dor de estômago. Foi o início de uma bateria de exames. Uns achavam que era uma gastrite nervosa, outros, que poderia ser uma inflamação no intestino. Até que desconfiaram. O resultado da biópsia confirmou: linfoma de Hodgkin, uma neoplasia maligna de células linfoides de origem incerta.

Em questão de meses, o câncer atingiu um estágio avançado, demandando um tratamento agressivo. Enquanto aguardava pela vez do filho tomar a dose da quimioterapia, Eny estava tão nervosa que não consegui sequer conversar com outras mães que passavam pela mesma situação. “Ficava tentando disfarçar e entreter meu filho, mas ele sabia que estava muito doente e aquilo era o que mais me doía”. Até que um dia ele se virou para a mãe e disse: “Não aguento mais essas caras de enterro!”.

Ele estava 10 quilos mais magro, os cachos de cabelo ruivo começavam a cair, mas ainda assim estava forte para enfrentar a doença. Mesmo com náuseas e dificuldade para se alimentar, não deixava nenhum restinho das sopas mirabolantes que a mãe preparava.

Passou a colecionar bonés e não deixou de ir à escola, a não ser quando o tratamento realmente o impossibilitava.

Certo dia, um professor, aparentemente desavisado, perguntou por que ele estava de boné e mandou que tirasse. O menino não teve dúvidas. “Estou ficando careca por causa do tratamento contra o câncer”, respondeu.

Inspirada pelas atitudes do filho, Eny começou a mudar a sua maneira de enfrentar a doença. Passou a conversar com as outras mães na sala de espera, compartilhar sua dor com as pessoas da igreja, conversar com os médicos e pesquisar tudo o que podia sobre a doença. Foi assim que ela se engajou na luta contra o câncer infantil. Conheceu uma mãe que estava passando pela mesma situação e, juntas, decidiram criar uma associação que apoiava os pacientes que vinham se tratar no Hospital das Clínicas, em São Paulo. “O trabalho voluntário me fez conhecer diversas histórias, com finais tristes e felizes, e acho que isso ajudou muito para que eu enfrentasse a doença do meu filho e para que ele fosse curado”, emociona-se Eny.

“O fator psicológico e a fé na vida são fundamentais para o êxito do tratamento”, conclui Dalva Yukie Matsumoto, oncologista e coordenadora da Hospedaria de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Municipal.

 

É possível conviver com o câncer?

O aperfeiçoamento dos métodos de diagnóstico e o avanço no conhecimento das características dos tumores mostram que sim. A chamada vigilância ativa passou a ser recomendada para pacientes que apresentam um câncer em estágio inicial e de lenta progressão. Seu método prevê o acompanhamento e a avaliação constante do tumor, com o objetivo de preservar o paciente, o máximo possível, dos efeitos colaterais de cirurgias, quimio e radioterapias.

Inicialmente, a vigilância ativa era recomendada apenas em pacientes com câncer de próstata, mas atualmente se estende também para outros tipos de tumor. Estima-se que cerca de 1,5% do total de novos casos no Brasil possa ser incluído nos protocolos de vigilância ativa, representando, aproximadamente, 7 mil pacientes ao ano. O número ainda é pequeno, mas a tendência é de crescimento. Pode parecer estranho conviver com o câncer e muitos pacientes acabam optando por uma cirurgia radical mesmo quando não é o caso. Lidar com o medo e com a ansiedade é essencial para aderir a esse tipo de conduta médica.