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O sono está relacionado ao repouso muscular, visceral e do sistema nervoso. Possibilita a liberação de diversos hormônios, a consolidação da memória, além de estar envolvido nos processos de maturação do Sistema Nervoso Central que ocorre nos primeiros anos de vida.

A necessidade de sono é variável de uma pessoa para outra (em média 7 a 8 horas por noite), assim como os horários para dormir ou acordar. Existem pessoas que têm maior dificuldade para acordar cedo e que conseguem permanecer acordadas até mais tarde, enquanto com outras ocorre o oposto.

A insônia pode ser definida como uma diminuição da quantidade ou da qualidade do sono. Ela pode se manifestar como uma dificuldade para iniciar o sono ou para mantê-lo, levando a despertares noturnos frequentes ou prolongados ou a um despertar precoce. O sono não reparador também pode ocorrer, trata-se de um sono de baixa qualidade que leva o indivíduo a acordar cansado, mesmo tendo dormido a quantidade de tempo adequada às suas necessidades.

A insônia pode acometer homens e mulheres de todas as idades, porém parece ser mais frequente em mulheres, especialmente após a menopausa, e em pessoas acima de 60 anos.

Entre as consequências da insônia podemos destacar a sonolência diurna, o cansaço, a falta de energia, a dificuldade de concentração e a irritabilidade. A sonolência, principalmente quando pronunciada, pode afetar a capacidade de julgamento do indivíduo de forma semelhante ao álcool. Isto é, a pessoa pode não perceber claramente sua sonolência, nem os prejuízos (como da atenção e da coordenação motora) associados a ela, assim como acontece com os indivíduos após fazer uso de álcool. Desta forma, os acidentes automobilísticos relacionados à sonolência constituem um importante fator de risco à saúde daqueles que sofrem com a insônia.

 

Causas da Insônia

As causas da insônia podem ser várias. Muitas vezes ela está relacionada a situações de estresse, a algum desconforto físico, ou a hábitos como tirar “cochilos” durante o dia ou ir para a cama muito cedo. Também pode estar associada a horários irregulares para dormir ou a uma alteração no horário habitual de sono, como nas viagens para locais com diferente fuso-horário.

Os casos de insônia persistente comumente estão associados a transtornos psiquiátricos como a depressão e o transtorno bipolar.

O abuso de álcool pode ser a causa e também pode ser secundário a um distúrbio de sono. Muitos insones utilizam o álcool para ajudá-los a dormir, sem saber que ele altera o padrão normal de sono. Apesar do álcool diminuir o tempo necessário para iniciar o sono, até mesmo quantidades moderadas dele aumentam os despertares noturnos por interferir na habilidade do cérebro de manter o sono. Além disso, o abuso crônico de álcool diminui o sono REM.

Fumar mais de um maço de cigarro ao dia também pode causar dificuldade para iniciar o sono. Estimulantes como cafeína, cocaína, entre outros, levam a uma diminuição do tempo total de sono e a um aumento do tempo para iniciar o sono.

A retirada repentina de sedativos, como benzodiazepínicos, produzem uma insônia rebote que pode ser bastante intensa. Por este motivo, deve ser evitado o uso habitual destas drogas, assim como o uso de doses mais altas. A duração do tratamento não deve exceder 2 a 3 semanas e a retirada deve ser gradual.

Existe também a insônia de origem psicológica, isto é, causada por uma preocupação exagerada do indivíduo ao perceber uma dificuldade para dormir adequadamente. Geralmente se inicia após um evento de vida estressante, durante o qual o indivíduo adotou hábitos inadequados que foram mantidos mesmo após o evento ser resolvido. A partir de então, a sua preocupação em não conseguir dormir (e seus esforços para conseguir) acabam se tornando um estímulo que o mantém acordado.

Por fim, diversos problemas de saúde podem levar a insônia, entre eles, alterações respiratórias, como a apneia do sono, síndrome das pernas inquietas, transtornos neurológicos como as demências e a doença de Parkinson, dores crônicas, uremia, asma e alterações da tireoide.

 

Tratamento

O manejo adequado da insônia se inicia com a identificação e tratamento de suas possíveis causas. Apenas o médico pode avaliar adequadamente cada caso e instituir o tratamento correto. Existem medicamentos e terapias psicológicas que podem ser utilizadas nos casos de insônia.

O tratamento psicológico inclui a educação do paciente em relação ao sono. A “Higiene do Sono” tem como foco os hábitos e fatores ambientais que podem interferir de forma positiva ou negativa no sono. São orientações que podem ajudar a melhorar a qualidade do sono, independente da causa da insônia.

1. Procure deitar e levantar em horários regulares todas as noites. É importante levantar cedo da cama pela manhã, mesmo que não tenha dormido bem à noite;

2. Vá para a cama somente quando estiver com sono;

3. Utilize a cama somente para o sono e sexo. Não use a cama para leitura, ver televisão ou se alimentar, prefira a sala ou outro ambiente;

4. Evite ficar na cama sem dormir. Se continuar acordado 20 minutos após se deitar, saia do quarto e faça uma atividade calma até ficar sonolento novamente. Ficar na cama “rolando de um lado para outro” gera estresse e piora a insônia;

5. Estabeleça um ritual de relaxamento antes de deitar: um banho quente, a meditação, a oração ou simplesmente diminuir a luminosidade do quarto enquanto se prepara para deitar;

6. Evite fumar, utilizar álcool ou cafeína, pelo menos 6 horas antes do seu horário de dormir;

7. Não coma alimentos de difícil digestão próximo ao horário de dormir, mas não vá dormir com fome;

8. Evite cochilos durante o dia, eles atrapalham seu sono à noite;

9. Procure se ocupar durante o dia, evitando o ócio;

10. Realize atividades físicas regularmente, porém evite exercícios intensos no final do dia, prefira os períodos da manhã ou almoço. No final do dia, os exercícios precisam ser mais leves como alongamento ou caminhadas, pelo menos 4 horas antes de dormir;

11. Durma em um local confortável, fresco, escuro e silencioso. Alterações de temperatura, luminosidade e ruídos podem atrapalhar o sono.

Quando as medidas comportamentais são insuficientes, o tratamento medicamentoso pode ser útil. Os indutores do sono, benzodiazepínicos, antidepressivos e anti-histamínicos, são opções que podem ser utilizadas, mas apenas sob orientação médica.